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O Brasil se torna o maior mercado da marca Heineken e aumenta a preocupação dos acionistas da Ambev

Mercado brasileiro se torna cada vez mais competitivo, resultado dos consumidores aprovando as marcas estrangeiras.


O Brasil se tornou o maior mercado da marca Heineken (sem levar em conta os demais portifólios de produtos da companhia holandesa) e não da Heineken em si.

São Paulo - A Ambev já foi absoluta no mercado de cervejas brasileiro, porém essa realidade mudou bastante e de uma forma cada vez mais rápido.
Ainda sendo líder do mercado, sua maior concorrente começa assustar.

Em 2019 no quarto trimestre do ano, o aumento consolidado de vendas de cerveja pela Heineken aumentou 4,1% no mundo, alta conquistada nos crescimentos de dois digítos em Brasil, Vietnã e Camboja. As marcas Amstel e Devassa foram as principais responsáveis no aumento das vendas no mercado brasileiro, de acordo com a empresa.

O país que teve o maior avanço no mundo todo do mercado da marca Heineken foi o Brasil (não incluindo os demais produtos), apesar de não ter informado números detalhados sobre a operação no país.
Houve aumento em 13% do lucro líquido da companhia em 2019, comparando com 2018, atingindo 2,16 bilhões de euros.

O Brasil se tornou o maior mercado mundial da marca Heineken e, com a soma do Reino Unido e da Nigéria agora são 12 mercados vendendo mais de 1 milhão de hectolitros da marca (100 milhões de litros), informou a companhia. Com esses resultados fortes, os ativos da companhia tiveram alta de 5,21% na bolsa de Amsterdã, a 102,85 euros.

Segundo a analista da XP Investimentos, Betina Roxo a Heineken representa um risco à Ambev, que no Brasil é a líder do mercado de cervejas. "Os volumes surpreendentemente fortes da Heineken corroboram o cenário competitivo desafiador e por isso, temos uma leitura negativa para a Ambev" informou em relatório.

A XP Investimentos possue recomendação neutra para as ações da cervejaria brasileira, estabelece preço-alvo de R$ 21,00 para os papéis ordinários ABEV3.

A AMBEV vai informar o resultado referente ao quarto trimestre do ano de 2019 no dia 27 de fevereiro, e Betina Roxo aguarda por números pouco animadores, por exemplo: um aumento de 2% no volume de cerveja no Brasil depois da queda de 2,8% no trimestre anterior. "Vale ressaltar que a estratégia de posicionamento das marcas da empresa continua em foco", informa.

Chefe da equipe de análise da Mauá Capital, Carolina Ujikawa declarou durante evento " Super Clássicos da Bolsa" celebrado pela XP, que para a AMBEV a disputa tem sido difícil, pois perdeu a preferência do público. Segundo ela, os resultados do negócio tendem a ser menores para a companhia. "Não se sabe como será o prêmio daqui para frente, pois o consumidor está cada vez menos fiel a uma marca só", avalia.

Carolina destacou que a grande escala da cervejaria irá tornar mais difícil o andamento que vem se tornando essencial no negócio de cervejas no Brasil de inovação com frequência e colocar os novos produtos com rapidez nas prateleiras dos supermercados.

"Tenho dúvidas de sobre qual será o retorno em um mundo como esse. O que eu tenho certeza é de que não vai ser a mesma coisa. A empresa será obrigada a investir mais em inovação com menos espaço de tempo", avalia.

Analista do Morgan Stanley, Ricardo Alves informou em relatório que os dados em relação aos números da Heineken corroboram a informação de que a Ambev perdeu participação de mercado no quarto trimestre do ano passado. "Baseado em nossas recentes conversas com agentes do mercado estamos surpresos em ver o principal concorrente da Ambev elevando volumes em dois dígitos no Brasil. Vale lembrar que esperamos que os volumes da Ambev cresçam em um dígito baixo no mesmo período", destacou.

Na análise do especialista Ricardo Alves independentemente das projeções de que o cenário macroeconômico talvez seja mais favorável nos próximos anos, o aumento do volume da Ambev poderia ser parcialmente ofuscada por uma queda de 300 pontos-base no marketing share até 2022. "Continuamos preocupados com o poder da Ambev de fazer preços", avalia.

De acordo com  Morgan Stanley, também tem recomendação neutra para as ações ABEV3, com preço-alvo de R$ 18,00.

Os analistas Leandro Fontanesi, Tiago Mello e João Grandi do Bradesco BBI esperam que a Ambev revelará, além de uma queda na sua fatia de mercado, um aumento de preços abaixo da inflação, em torno de 3% em 2019 contra os 4,3% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

"Apesar da Heineken ter dito em sua teleconferência de resultados que planeja elevar preços assim que possível, provavelmente indicando um foco maior em rentabilidade, mantemo-nos preocupados com a pressão competitiva para a Ambev em 2020, já que tanto a Heineken quanto a (cervejaria) Petrópolis (dona da Itaipava) devem aumentar suas capacidades de produção a partir da metade do ano", informam.

Bradesco BBI também tem recomendação neutra para a Ambev, com preço-alvo de R$ 18,50 para as ações da empresa.

De acordo com esses dados a Ambev terá que se esforçar nos próximos anos se quiser frear a invasão holandesa que atualmente está acontecendo no mercado brasileiro de cerveja. O grande desafio é descobrir como recuperar a preferência dos consumidores brasileiros sem perder escala, agilidade e competitividade de preços.

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